Origem da Pesquisa 

O conteúdo da pesquisa apresentada abaixo, faz parte da Revisão de literatura que realizei para integrar meu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso), apresentado em Março de 2007 a UNI FMU ( Faculdades Metropolitanas Unidas) em São Paulo/SP, como exigência para a Conclusão do Curso de Pós Graduação em Educação Física na área de Dança e Consciência Corporal, com o título : A Capoeira e sua Utilização como Instrumento de Arte Evangelismo, o qual finalizei com êxito.           

Mestrando Hélio Dendê (Hélio S. Santos)   

 


                                                   Sua Origem 

         Não existem documentos suficientes que comprovem a origem da capoeira. As opiniões recaem sobre duas fortes correntes, uma que ela tenha nascido na África e vinda de lá com os escravos e a outra que ela tenha sido criada pelos escravos no Brasil.

    A discussão é interminável: pesquisadores, folcloristas, historiadores e africanistas ainda buscam respostas para a seguinte questão: “A capoeira é uma invenção africana ou brasileira?” Teria sido uma criação do escravo com fome de liberdade? Ou invenção do indígena? As opiniões tendem para o lado brasileiro, e aqui vão alguns exemplos: no livro "A Arte da Gramática de língua mais usada na Costa do Brasil" do Padre José de Anchieta, editado em 1595, há uma citação de que "os índios Tupi-Guarani, divertiam-se jogando capoeira". Guilherme de Almeida no livro "Música no Brasil", sustenta serem indígenas as raízes da capoeira. O navegador Português Martim Afonso de Sousa, observou tribos jogando capoeira. Como se não bastasse, a palavra "capoeira" (CAÁPUÉRA) é um vocábulo Tupi-guarani, que significa "mato ralo" ou "mato que foi cortado”. 

        Num trabalho que foi publicado pela XEROX do Brasil, o professor austríaco Gerhard Kubik, antropólogo e membro da associação mundial de folclore e profundo conhecedor de assuntos africanos, diz estranhar “que o brasileiro chame capoeira de Angola, quando ali não existe nada semelhante.

     Também o estudioso Waldeloir Rego, que escreveu o que foi considerado o melhor trabalho sobre este jogo, defende a tese de que a capoeira foi inventada no Brasil. Brasil Gerson, historiador das ruas do Rio de Janeiro, acha que o jogo nasceu no mercado, quando os escravos chegavam com cesto (capoeira) de aves na cabeça e até serem atendidos, ficavam brincando de lutar, surgindo daí a verdadeira capoeira. Antenor Nascente, diz que a luta da capoeira está ligada à ave Uru (odontophorus capueira-spix), cujo macho é muito ciumento e trava lutas violentas com o rival que ousa entrar em seus domínios (os movimentos da luta se assemelham aos da capoeira). Por fim, Câmara Cascudo, afirma "ter sido trazida pelos banto-congo-angoleses que praticavam danças litúrgicas ao som de instrumentos de percussão" transformando-se em lutas aqui, no Brasil, devido à necessidade de defesa destes negros!(Silva, 2002 ).

    A Capoeira, desde seu aparecimento, foi considerada uma ameaça, sendo perseguida pela polícia e marginalizada pela sociedade. Perseguida, por conter elementos de luta que poderiam facilitar a fuga dos escravos, e por medo de que os capoeiristas pudessem participar de movimentos contra o regime político. Marginalizada, por uma sociedade racista que via tudo que o negro fazia como algo imundo e/ou, promíscuo e/ou religioso, e não iriam deixar que a cultura negra sujasse "o seu branco total". 

       Os primeiros documentos sobre a capoeira são do Séc. XIX, mas alguns autores da atualidade imaginam que a capoeira era praticada nas senzalas como uma brincadeira de Angola, que escondia uma arma mortal. "O feitor chegava e comentava: novamente estes negros com suas brincadeiras de Angola. O passo da dança e o ritmo da música escondia o perigo da luta que não podia ser evidenciada na frente do feitor" (Areias).                                                                                  

        Acreditam também que os escravos jogavam capoeira nas portas dos mercados, enquanto esperavam que estas se abrissem.Acredita-se que os negros nunca deixaram de lutar, e muitas vezes, nas fazendas e ou nas cidades, usavam os golpes, da capoeira, como arma para fugir das mãos dos jagunços e capitães de mato. 

     O Quilombo dos Palmares foi o maior reduto dos Quilombolas, (Escravos fugitivos ) mas não se tem documentos sobre a capoeira lá, e foi no século XIX que ela teve seu apogeu. (Brito, 1998, pg.27).

Ouviu-se falar de capoeira pela primeira vez, durante as invasões holandesas de 1624, quando os escravos e índios, (as duas primeiras vítimas da colonização), aproveitando-se da confusão gerada, fugiram para as matas. Os negros criaram os Quilombos, entre os quais o mais famoso Palmares, cujo líder foi Zumbi, guerreiro e estrategista invencível diz a lenda, ter sido ele capoeira. Após esta época, houve um período obscuro e no renascimento do século XIX, transformou-se em um fenômeno social, que tomou conta de centros urbanos como o Rio de Janeiro, Salvador e Recife.

Pintura: Dança da Guerra ou Capoeira,Johann Mortiz Rugendas (RUGENDAS 1835)

                                                                                                                  Etmologia

Segundo Dicionário Aurélio, capoeira: [Do tupi = 'mata que foi'.] S. f. 1. Bras. Terreno em que o mato foi roçado e/ou queimado para cultivo da terra ou para outro fim: & 2. Bras. Santom. Mato que nasceu nas derrubadas de mata virgem. 3. Bras. Cap. Jogo acrobático constituído por movimentos [Cf., nesta acepção, pernada (7).]    

 Capoeira regional. Cap.1. Modalidade de capoeira criada por Mestre Bimba (Manuel dos Reis Machado [1899-1974]), e que amplia os conceitos da capoeira tradicional, adicionando-lhe novas possibilidades de golpes, ritmos, sistematização de treinamento, etc.

                                                                                                    Corrente Africana

Esta corrente também esta dividida, existem aqueles que já foram à África e estudaram sobre o N'golo e acreditam que ele deu origem à Capoeira, estes na sua maioria são praticantes da capoeira Angola como por ex Mestre João Grande. Mas há os que acreditam que ela seja, sim, africana, mas sem uma origem comprovada, podendo ter sido nascida do N'golo ou de outras danças tribais.

Uma dança muito parecida com a capoeira é a Ladja, da Martinica. Com esta dúvida de qual dança africana surgiu a capoeira, instaurou-se uma das primeiras confusões sobre sua origem. Sem dados comprobatórios, um dicionário, divulgou que ela veio de uma dança religiosa oriunda dos Negros Bantus de Angola, versão esta não aceita e nem sequer reconhecida pelos Capoeiristas e estudiosos do assunto. (o dicionário era uma das poucas referências literárias que se tinha para estudar o assunto antigamente, mas atualmente há dezenas de livros sobre o assunto.) (Brito, 1998, pg.25).

                                              A Corrente Afro-brasileira

Esta corrente também está dividida. (Existem aqueles que acreditam que a capoeira tenha surgido nas fazendas como uma arma contra a opressão e escravidão (Areias) Capoeira Angola, Waldeloir Rego), os escravos para se esconder dos feitores e jagunços se retiravam para as capoeiras (mato ralo, que nascia após a mata virgem). Há também quem acredita que ela tenha surgido nas ruas do Rio de Janeiro, criada pelos escravos que trabalhavam nos mercados vendendo capões, os cestos que eles carregavam se chamavam capoeiras. (Oliveira). (BRITO, 1998, pg.26).

                                                                                Grandes Centros de Capoeira

Três foram os grandes centros de capoeiragem no Brasil, a Bahia, o Rio de Janeiro e Pernambuco. Em cada um desses lugares se distinguiu o jogo da capoeira por certas peculiaridades. (Brito 2007 , pg. 11-13).                                                                                                       

 No Rio de Janeiro - A capoeira como luta aparece nas fontes literárias de forma maciça, a partir da segunda década do Séc. XIX, justamente depois da transferência da corte portuguesa para o Rio de Janeiro. O governo fazia jogo duplo, ao mesmo tempo que mandava expulsar os capoeiristas, utilizava-os em suas forças militares.         

 Por ocasião da Guerra do Paraguai ( 1828 - 1870), o governo tentou acabar com os negros capoeiristas, enviando-os para a frente de batalha, mas estes de lá se fizeram heróis. (Silva, 2002, pag. 32). 

 A palavra capoeira era usada tanto para designar a prática, quanto para um grupo de pessoas. A base da capoeira do Rio de Janeiro eram as maltas. A sua prática consistia em exercícios de destreza física nos largos e nas praças da cidade. A sua maior visibilidade acontecia, porém, durante as festas públicas, ou seja, as procissões, as paradas militares e o carnaval. “Os eventos serviam de pretextos para os confrontos das maltas, que promoviam “distúrbios” ou” correrias”, ferindo até terceiros. 

A prática da capoeiragem, nesta época difere fundamentalmente daquilo que hoje é conhecido como capoeira. Ou seja, não havia Roda, não havia música, nem "jogo" entre dois praticantes. 

Um outro aspecto surpreendente é a rápida mudança da origem étnica dos capoeiras. A capoeira, após 1850, passa a recrutar adeptos não somente na população mestiça pobre, mas também entre os brancos e até imigrantes europeus, principalmente os portugueses.      

  A origem social dos capoeiras também precisa ser diferenciada. Na República Velha, a maioria dos capoeiras, não eram malandros e vadios e, sim, trabalhadores. (Brito 2007).

         Na Bahia, a falta de fonte escrita sobre a capoeiragem, no Séc. XIX, faz com que os depoimentos dos Velhos Mestres tenham grande significação.

     A capoeira Baiana antiga se opõe “a capoeira de hoje”, ritmada, estilizada, verdadeira capoeira de salão. 

        Na Bahia antiga, a capoeira era ensinada pelos Tios, temos como exemplo: Tio Alípio (Mestre de Besouro) e Tio Benedito ( Mestre de Pastinha). A capoeira era passada de parente para parente ou a amigos, pessoas que estes tios adotavam como seus discípulos. A figura do Mestre de capoeira data do Séc. XX.       

       Até o início dos anos trinta, o jogo da capoeira aparecia integrado às práticas cotidianas das classes populares de maneira semelhante à "pelada", o jogo informal de futebol nos finais de semana. Apesar de existirem os "cobras", não havia uma rigorosa exigência do domínio da técnica do jogo, apenas o conhecimento do ritual de roda.    

    No entanto, nem sempre a vadiação baiana assumia o caráter pacífico e predominantemente lúdico. Havia violência entre grupos rivais, com terceiros e enfrentamentos com a polícia. Mas a repressão policial foi menor que no Rio.  

       "As rodas de capoeira do passado integravam-se a uma concepção de dever permanente, uma visão de mundo circular e integralizadora em que os rituais são elementos de uma relação do homem com o cosmo incompleta e dinâmica por natureza".(Brito 2007).

      Em Pernambuco, a capoeira irrompeu nas ruas do Recife na forma de rivalidades entre craques admiradores de duas bandas de música. Os capoeiristas eram os defensores das bandas, eles iam na frente das bandas, gingando, soltando golpes, abrindo caminho no meio da multidão. A capoeira no Recife ajudou dar origem aos passos de frevo. 

     Uma figura lendária de Pernambuco foi Nascimento Grande, assim como Besouro na Bahia e Manduca da Praia no Rio de Janeiro. Homens que impunham respeito pela valentia, coragem e bravura, grandes líderes dos oprimidos. (Brito 2007).A capoeira jogada, atualmente no Rio e Recife é uma herança da capoeira da Bahia.       

   A história da capoeira de 1930 até os dias de hoje tem como principais protagonistas a Capoeira Angola, e a Capoeira Regional. (Brito 2007). A capoeira atualmente, encontra-se em mais de cinqüenta países e é reconhecida pelo COB (Comitê Olímpico Brasileiro), como esporte olímpico.(Brito 1998).  

        A capoeira faz parte de vários projetos sociais, ajudando a tirar os menores das ruas, bem como em projetos que trabalham com portadores de deficiência física, auditiva e até visuais, pessoas com Síndrome de Dawn e outros.(Brito 1998). 

   A capoeira faz parte das atividades físicas de várias escolas públicas e particulares. Ela, também, faz parte dos currículos de várias Faculdades de Educação Física de todo o país. (Brito 1998).   

     A capoeira é considerada por muitos como a ginástica brasileira. Existindo, também, a hidrocapoeira, o aerocapoeira (aeróbica utilizando elementos da capoeira), a somacapoeira e outras.    

    A capoeira é ensinada em clubes, academias, associações de bairros, escolas, universidades, creches, e nos mais diversificados locais. 

    No Brasil, ela se popularizou, conquistando, principalmente, as crianças e adolescentes. Um dos motivos, é porque o esporte número um do Brasil, o Futebol, esta cada vez mais caro e elitizado, enquanto que a viabilização de sua prática, é muito fácil, seu custo é baixo, e não requer um local com muitos aparatos e nem uniformes e materiais sofisticados. 

       A capoeira nunca foi tão divulgada como atualmente. Constantemente a vemos nos meios de comunicação. Já existem várias revistas, jornais e lojas especializadas, filmes sobre o assunto, inúmeros CDs e livros. A grife capoeira tem confeccionado materiais de todo tipo e para todo gosto. (Brito 1998).    

         Sobre a sua história, pensamos que ela deva passar por uma reavaliação crítica das fontes conhecidas, pois muitas destas, cometem erros grosseiros. Ë necessário, portanto, distinguir os tipos de fontes e cada qual requerendo tratamento adequado.

        Muitos mitos e discursos foram criados ao longo de sua história e serviram para confundir e reforçar posicionamentos e idéias que nem sempre comungavam com a verdade clara e transparente dos fatos. Em contraponto, os recentes trabalhos de estudiosos do assunto, como as pesquisas acadêmicas tem trazido boas novas descobertas. Talvez não chegaremos a completar a sua real história, mas só o fato de podermos nos aproximar, já é o suficiente para tentarmos. (Vieira e Assunção, 1999). (Brito, 1998, pg. 28).

                                                                                                Os Ritmos e Toques

"O toque do berimbau comanda o ritmo e a característica do jogo, exemplificando: se o toque é Angola, o jogo deve ser de dentro, malicioso, lento e mais embaixo, como determina o estilo; se o toque é Banguela, o estilo é Regional, o jogo é floreado, amistoso e cadenciado; no São Bento Grande, o jogo alto, vistoso, objetivo, com "fintas", "iscas" e "boca de espera" (Brito 1996).Mas nem todos os toques que dizem ser da capoeira são utilizados nas rodas com jogos específicos para eles.  

Os toques têm uma característica interessante. Muitos deles têm nomes de santos católicos, como é caso do São Bento Pequeno, São Bento Grande, Santa Maria e Ave Maria. (Brito, 1998, pg. 37). A ligação dos nomes de toques com a capoeira ainda é discutida. No caso do " São Bento", alguns estudiosos comparam o bom capoeirista a uma cobra, e se o São Bento é o protetor contra picadas de cobra, é daí que vem a sua ligação com a capoeira. Pode ser e pode não ser.O toque cavalaria era usado para avisar aos capoeiristas que a polícia estava chegando ( Houve um tempo que a capoeira foi proibida por lei ). 

O toque de Íuna, imita o cântico do pássaro com o mesmo nome e na Regional o jogo é de formado. Existem outros toques. (Brito, 1998, pg 38).

                                                                                                                      Estilos

Existem dois estilos de capoeira consagrados por todos os capoeiristas: a Capoeira Angola e a Capoeira Regional. Mas existem outros.

A Capoeira Angola é considerada por muitos como a capoeira mãe, mas que na verdade é também um estilo, criado a partir da vadiação baiana que não tinha seus fundamentos tão estruturados como a Angola. É um estilo que se fortaleceu e solidificou-se a partir de Mestre Pastinha (Vicente Ferreira Pastinha), que foi seu mais importante representante e eleito pelos capoeiristas da época para comandar os destinos da capoeira baiana que não fosse a Regional. A Capoeira Angola se caracteriza por seus fundamentos, atualmente já bem estruturados, pela sua filosofia e pelo respeito e submissão ao comando dos mestres.  

  Até pouco tempo só se via Capoeira Angola na Bahia, mas atualmente, este estilo está presente em quase todas as rodas de capoeira e é ensinado em vários estados do Brasil, como também no exterior. Nos Estados Unidos, encontram-se dois grandes Mestres de Capoeira Angola, Mestre João Grande e Cobrinha Mansa, tendo também um trabalho do GCAP ( Grupo de Capoeira Angola Pelourinho, com sede no Brasil ). Sua principal filosofia é a subjetividade, onde a malícia suplanta a força, o respeito, o medo, a cooperação, à competição. (Brito, 1998, pg. 31).

Capoeira Regional foi criada por Mestre Bimba ( Manoel dos Reis Machado), um estilo que era para ser apenas baiano, mas espalhou-se por todo o mundo. “Mestre Bimba partiu de uma crítica da capoeira baiana, cujo nível técnico considerava insuficiente, sobretudo se confrontado com outras lutas e artes marciais, que começavam a ser difundidos então no Brasil. (Brito, 2007, pg. 23) 

Bimba não somente transferiu a prática da capoeira da rua para um recinto fechado, a academia, mas a fragmentou em "exercícios fundamentais" a serem praticados diariamente, "seqüências" e a roda propriamente dita. Uma das inovações mais controversas foi a introdução de novos golpes, dentre eles os balões cinturados. Ele também introduziu uma hierarquia até então não existente, onde distinguiam-se calouros, formados e formados especializados. ( Assunção e Vieira ). 

Este estilo caracteriza-se por sua objetividade e seus movimentos mais plásticos. Seu método é fácil de ser compreendido. Embora a maioria dos capoeiristas não permaneçam fiéis aos seus fundamentos iniciais, ainda é o mais jogado.(Brito, 1998, pg. 32).Apesar destes estilos serem consagrados, alguns mestres, jamais os adotaram, muitos destes, preferem não classificar a capoeira em estilos e já outros, preferiram criar seus próprios estilos. (Brito, 1998, pg. 32).

A Capoeira Contemporânea assim como a dança contemporânea é algo que instiga críticas negativas, mas positivas em sua maioria. Com o passar do tempo e com a evolução de muitas áreas, culturais da arte e dos esportes, a capoeira não poderia ficar para trás, desde a criação da Luta Regional Baiana (Capoeira Regional) nos anos 30 por Manuel dos Reis Machado, o Mestre Bimba, que foi considerada a Capoeira Moderna até os dias de hoje muita coisa mudou, no sentido de que a necessidade de aprimorar as técnicas, o ritmo e a expressão, levarão a nova geração de capoeiristas a buscarem um maior conhecimento teórico e prático do que fazer para consolidar a força da capoeira como instrumento de Arte Evangelismo.                                                                                     

Dando grande ênfase às questões fisiológicas, onde, por exemplo, aqueles movimentos que poderiam machucar de alguma forma o corpo dos praticantes é trabalhado e adaptado para que desta forma se consiga uma melhor postura, facilitando assim o processo educacional físico.   

Através de pesquisas por Mestres, Professores, Graduados, praticantes, historiadores ou acadêmicos que viajam pela África que tem a raiz da capoeira e pelo Brasil coletando dados e formulando teses artigos e registros sobre as raízes e fundamentos da capoeira para que desta forma ela evolua, sem perder suas características, assim como Mestre Bimba o fez com a Capoeira Regional, para que seus praticantes tenham base do que estão fazendo e de onde veio.

Com todos estes conceitos de evolução e fortalecimento, temos hoje em dia a capoeira contemporânea que não é um novo estilo como a Capoeira Regional ou a Capoeira Angola, mas sim uma forma muito didática e eficiente de trabalhar a a capoeira sem que se perda seus princípios básicos e fundamentos, ou seja sem perder suas raízes.

                                                                                                                 Batizado

 O batizado na capoeira é uma festa de integração do calouro ao mundo capoeirístico. Ele tem dois objetivos: Primeiro, dar ao aluno seu nome de capoeira e, segundo, estreá-lo na roda de capoeira.      

 O batizado de capoeira foi criado por Mestre Bimba. Era realizada uma cerimônia simples para batizar os alunos.     

  " Na academia do Mestre Bimba, era colocar o calouro para jogar pela primeira vez com o acompanhamento do berimbau, o Mestre escolhia o formado e tocava "São Bento Grande", o formado só acompanhava o calouro e o "forçava" a aplicar as defesas e "soltar" os golpes aprendidos. 

Ao final do jogo, o Mestre colocava o calouro no centro da roda e pedia que um formado lhe desse um apelido, ou ele mesmo dava. Depois de escolhido o nome, todos batiam palmas e ele estava batizado".( Almeida, 1994, pg. 63-66).

Hoje, geralmente, os nomes são dados fora de uma cerimônia específica e acontece aleatoriamente. Nem todos os grupos e mestres adotam este costume, de dar apelidos (nomes de capoeira) aos alunos. (Brito, 1998, pg. 42).

Atualmente, o batizado de capoeira consiste em marcar a estréia do aluno nas rodas de capoeira, é a cerimônia que o aluno iniciante joga com um professor que lhe estréia na roda e lhe entrega a primeira graduação da capoeira. Da segunda em diante, já não é mais batizado e, sim, troca de graduação. Normalmente os grupos realizam algumas apresentações para tornar a festa mais atrativa, aproveitam também para divulgar seus trabalhos. (Brito, 1998, pg. 42). 

                                                                                        Instrumentos na Capoeira

Os instrumentos utilizados na capoeira são: Berimbaus, que conforme a afinação e o tamanho da cabaça pode ser: Gunga, Médio ou Viola, o Pandeiro, o atabaque, agogô e o Reco-reco. 

O Berimbau é o principal instrumento utilizado na Capoeira (Berimbau de barriga). Instrumento Africano e, lá na África, é utilizado em orquestra, bandas, conjuntos. No Brasil, no final do século passado, ele foi associado à capoeira. Atualmente o Berimbau, como, na África, é utilizado em conjuntos, bandas e tem até o Berimbau Blues gravado por um instrumentista famoso.(Berimbau de boca).   

O Berimbau pode até dispensar o acompanhamento de outros instrumentos. Ele não é utilizado no candomblé.(Brito, 1998, pg. 34). 

O Pandeiro é uma evolução do adufe, um instrumento de proveniência mourisca e de termo Árabe, e chegou aqui no Brasil através dos Portugueses. É utilizado como instrumento de percussão. Na música brasileira é indispensável e é mais visualizado nos grupos de pagode. A sua origem pode estar entre os hindus. (Brito, 1998, pg. 34).   

“O Atabaque, é instrumento oriental muito antigo entre os persas e Árabes, já era usado na poética medieval e era um dos instrumentos preferidos dos reis, que o utilizavam em festas, jograis e nos conjuntos musicais. 

O Atabaque foi bastante difundido na África, mas, segundo Waldeloir Rego, foi trazido para o Brasil por mãos portuguesas, assim como o Pandeiro. Num primeiro momento, o atabaque era usado em festas religiosas. Por muito tempo, não era utilizado nas rodas de capoeira". (Revista Pôster-Capoeira Ano I Nº 06) .  

É um instrumento, que foi originado dos troncos de árvore e cobertos com peles de animais, pode ser tocado deitado e em pé, também com o nome de tambor e utilizado pelos índios, serve para acompanhar as danças tribais e até passar mensagens, é utilizado nos cultos de Candomblé e Umbanda. 

Na capoeira, não é o principal instrumento, portanto pode até ser dispensado. Mestre Bimba, criador da Capoeira Regional, não utilizava o Atabaque em suas Rodas, pois não queria que as pessoas confundissem capoeira com candomblé. Importante ressaltar, que Mestre Bimba era um exímio tocador de atabaque, chegando a ser ogam no Candomblé, e que desde aquela época já se preocupava em não misturar capoeira com religião. (Brito, 1998, pg. 35).

O Reco-Reco é feito de gomo de bambu com sulcos transversais sobre o qual se passeia uma haste. Existe um outro Reco-Reco, industrializado, de metal, mas seu som não serve para a capoeira. (Brito 1998, pg. 35,).

O Agogô é instrumento musical de percussão de ferro, entrou no Brasil por via africana. O termo Agogô pertence à língua nagô e vem do vocábulo agogô, que quer dizer sino, entretanto, precisar qual dos povos africanos foi o responsável pela sua vinda para o Brasil é algo difícil. É bastante utilizado nos folguedos populares, no samba e nas cerimônias religiosas afro brasileiras. O Agogô e o Reco-Reco, são utilizados apenas na capoeira angola. (Brito, 1998, pg. 35). 

A música é muito importante numa roda, porque capoeira se luta dançando. A música estimula os jogadores, transmite mensagens através de suas letras e contagia a platéia.  

A capoeira é a única luta do mundo que tem acompanhamento musical.          Antigamente, a capoeira não tinha um estilo único de letras e nem de música, como hoje ainda não se tem, cantavam literatura de cordel, pontos de caboclo, repentes, samba, vaquejada, Boi bumba, música popular e outras que se encaixavam no ritmo. Segundo alguns mestres, tudo isto faz parte da capoeira, ela aceita todos sem discriminar, ao contrário do que alguns fazem com ela, é dela a subjetividade. 

Atualmente os capoeiristas estão cada vez mais criativos. Na disputa de um novo mercado, o das gravações de CDs, muitas músicas têm surgido e com temas bastante variados. (Brito, 1998, pg. 36). "Nas cantigas de capoeira reside enorme riqueza de conteúdo e detalhes sócio-hitóricos e culturais, retratando a vida brasileira de outrora e do presente. Elas são poesias e canções, narrando e recriando lendas , mitos estórias e histórias; são canções melodiando o entendimento universal da música; são poesias e canções que cantam as vidas dos grandes mestres como Zumbi, Besouro, Bimba e Pastinha. Evocam lugares e santos protetores, enaltecem feitos e habilidades dos capoeiristas do passado e do presente". ( Zulu, 1995, 101-102).(Brito, 1998).

Cada cantor na capoeira faz e canta o repertório que mais lhe agrada, não se tem uma obrigatoriedade em cantar esta ou aquela música. E como vimos, as músicas de capoeira não falam só de santos e orixás. A boca fala daquilo que o coração está cheio. Será muito bom quando os corações das pessoas estiverem cheios apenas de coisas boas, de amor, de Deus. (Elto Pereira de Brito¨ Mestre Suíno¨).

                                                        Os Golpes

    Alguns golpes da capoeira nasceram de lutas e danças tribais africanas e outros do próprio dia a dia dos capoeiristas e através de sua convivência com animais e a natureza, tais como: Martelo, Rasteira, Benção, Chibata, Tesoura, Cabeçada, Macaco, Rabo de arraia, Meia lua, Coice de mula, Esporão, Galopante. 

     A Ginga é o movimento fundamental, sem ela não existe capoeira.Os movimentos Básicos são: Cocorinha, Esquivas, Negativas, Aú e Rolês, que formam as principais defesas e deslocamentos. No ataque e contra ataque se tem: golpes traumatizantes: Meia Lua de Frente, Martelo, Meia lua de compasso, Armada, Chapa, Queixada e muitos outros.  

     Os golpes desequilibrantes: Rasteira, Vingativa, Bandas, Tesouras e a Benção ( que também podem ser traumatizantes); Tem ainda os movimentos de floreios, que servem para embelezar e abrir o jogo são: Macaco, "S"dobrado, Bananeira, Queda de Rim, Pêndulo, Salto Mortal, Ponte, Pião. Ainda tem os balões, golpes ligados, fintas e trancos.Como os golpes são combinados, variados , recriados, inovados e, muitas vezes espontâneos, não é tarefa fácil catalogar e nomear todos os golpes da capoeira.                                               

      A maioria dos grupos adotam diferentes nomenclatura e classificação para os golpes. Ao contrário do que alguns imaginam, os golpes da capoeira, não servem apenas para dançar, podem acertar e dependendo da situação que for aplicado, pode até matar.A história conta que, muitas vezes, para fugir da escravidão o negro precisou lutar e até matar, mas atualmente a nossa luta é outra, não precisamos usar a força física. Capoeira é luta de união, companheirismo e amizade.

        Por isso, é tão importante a disciplina, o respeito mútuo e a concepção clara de que a capoeira é um esporte que faz parte de nossa cultura e não uma luta que vale tudo, sem regras e com fins violentos.

       Para ser um bom capoeirista não é preciso machucar ninguém e para mostrar superioridade no jogo de capoeira, nem sempre é preciso acertar o golpe.

        Se pensarmos como um cristão, jamais vamos aplicar um golpe para machucar o nosso semelhante ( Jesus ensinou que devemos amar o próximo como a nós mesmos ).(Brito, 1998). 

                                                                                                                   Apelidos

Circula nas histórias de capoeira que os Capoeiristas adquiriram o hábito de usar apelidos, para esconder sua identidade civil como se fosse um disfarce, pois assim a polícia não podia identificá-los pelo seu verdadeiro nome, numa época que era proibida a prática da capoeira. Segundo Liberac, não se deve levar essa hipótese a sério por muito tempo, pois, na verdade, os apelidos identificavam os indivíduos. “Os capoeiristas estavam mais vulneráveis quando ficavam conhecidos pelo apelido”. (Antonio Liberac Cardoso Simões Pires In: Revista - Camarada- Capoeira Ano I no 05 ).  

Outra história contada é a que muitas pessoas conhecidas na sociedade não queriam que seus nomes fossem veiculados no meio da capoeira, pois a sua prática era discriminada e até citada como crime pelo código penal brasileiro, portanto, usavam os apelidos para esconder seu verdadeiro nome. 

De acordo com Fred Abreu, o fato de os indivíduos colocarem apelidos em seus semelhantes é uma tradição muito presente na cultura brasileira. Ele comenta que viajou por diversas cidades do país e não encontrou nenhuma que não existisse os apelidos, continua Fred, esse costume não é restrito apenas aos capoeiristas.  

 Vejo a questão dos apelidos da seguinte forma: O nome é muito importante e honra a pessoa e orgulha os pais que o deram. Acredito que esta tradição não seja relevante para a capoeira. Muitos capoeiristas não gostariam de mudar seus nomes de registro e nem alguns pais gostariam que mudassem o nome de seus filhos. Sugiro que se quiserem continuar com a tradição, que utilizem seus verdadeiros nomes para dar o "nome de guerra" ou que coloquem então, aqueles apelidos que enaltecem a pessoa, buscando sempre nas qualidades, a inspiração necessária para escolher o nome e não em algum defeito, pois se for por defeito, a pessoa que o tem já é penalizada por o ter, ainda lhe dão um apelido que lhe faz lembrar constantemente de seu defeito, é ser penalizado duas vezes, e não é esta a intenção. No caso de crianças, que se tenha a aprovação dos pais ou responsáveis. (Mestre Burguês).

                                           Retrospectiva na capoeira - Datas Históricas

  • 1834 - E publicado, por Jean Baptista Debret. O berimbau era tocado por ambulantes, para atrair a atenção de fregueses. 
  • 1835 - Rugendas, pinta o quadro intitulado “Jogar capoeira ou Danse de la Guerre”.
  • 1888 - É aprovado a Lei Áurea, dando a liberdade a todo negro escravo.
  •  1889 - Nasce em Salvador Vicente Ferreira Pastinha.                      
  •  1890 - É promulgada a lei nº487 de autoria de Sampaio Ferraz, que proíbe á pratica da Capoeira do artigo 402 que tratava “Dos vadios capoeira”. 
  • 1900 - Nasce Manoel dos Reis Machado, o mestre Bimba na cidade de São Salvador, Bahia.                                                    
  •  1907 - É lançado o folheto (Águia de capoeira ou ginástica brasileira). Um oficial do exercito que lutava para legitimar a capoeira que era crime na época.
  •   1909 – Ciriaco, conhecido como Macaco Velho, derrota o campeão de jiu-jitsu Sada Mirko (O desafio durou 2 minutos). Pastinha, sai da Marinha com 20 anos.
  •    1910 - Pastinha, abre sua primeira academia. 
  •    1912 - Bimba, começa treinar com o mestre Bentinho.               
  •    1917 - Nasce Mestre João Pereira dos Santos “João Pequeno”.      
  •    1922 -Pastinha, muda sua academia para Cruzeiro de São Francisco em Salvador.
  •    1928 - Mestre Bimba, cria a capoeira Regional.                             
  •   1932 - Mestre Bimba, inaugura o Centro de Cultura Física È Capoeira Regional da Bahia.                                                               
  •   1937 - A capoeira é Legalizada, mas somente em recinto fechado com alvará da policia.                                                                              
  •     1941 - Pastinha abre o Centro Esportivo de Capoeira Angola.      
  •    1948 - Chega em São Paulo a Capoeira, através dos Mestres Damião e Guarrido.
  •     1953 - Em apresentação de Mestre Bimba, Getulio Vargas, declara que a capoeira é “ A única colaboração autenticamente brasileira á educação Física, devendo ser considerada a nossa luta brasileira.          
  •     1966 - Pastinha, representa o Brasil na Premier Festival Internacional de Arts Negres, de Dakar, também em 66 Bimba grava o disco Curso de Capoeira Regional .
  •     1967 - Pastinha, lança o livro Capoeira Angola.                      
  •     1971 -Bimba, apresenta na expo Goiás.                                
  •     1972 - A capoeira é homologada pelo Mec como modalidade desportiva.
  •    1974 - Morre de derrame cerebral Mestre Bimba.                          
  •    1978 - Os restos mortais de Mestre Bimba é transferido para sua terra natal a Bahia de todos os santos.                                                    
  •    1981 - Mestre Pastinha, morre em Salvador.
  •    1985 - A capoeira foi introduzida nos jogos estudantis brasileiros.           
  •    1988 - O ministério da Educação escala uma equipe para entrevistar velhos mestres da Bahia, que gera um material importantíssimo para a historia da capoeira.                                                                                  
  •     1996 - Criação do Jornal da Capoeira.                                   
  •     1998 - Criação da Revista Capoeira (Brito, 2007, pg.16-18)
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